Mão de Obra Escrava na Música

  • by Welton De Oliveira
  • 23 de junho de 2016

Salve aí! Que bom ver o crescimento deste trabalho, obrigado.

Vamos em frente. Já relatei aqui e repito que fazer cover é uma escolha e direito, porém quero fazer uma explanação sobre esse tipo de trabalho “artístico”.

Quando um artista ou banda decide seguir o caminho do som autoral, é mais do que natural que ela busque o seu público para que esse vá até onde ele se apresenta, sendo assim, a casa que abre espaço para esse novo artista espera e com razão, um retorno financeiro através da audiência que ele proporcionará, então a correria é mais do artista do que da casa, NESSE CASO ESPECÍFICO.

Agora vai minha pergunta, não seria o justo que no caso do artista cover, o bar, ou a casa sejam os responsáveis por atrair o público? Afinal, nestes milhões de casos, é a casa quem oferece à atração ao público que a frequenta, você vai à pizzaria comer pizza, não é ver o uniforme do garçom, não é focado na decoração, mas sim no que ela oferta de principal, que é a pizza, e o que for agregando, ok.

Mas no caso da maioria dos bares, eles querem que as bandas promovam seu bar de graça, ou seja; venham curtir um som no bar do XYZ, além disso tem bebidas e lanches e etc”. Opa! Como assim? O certo é; “Hoje no bar XYZ  você toma aquela gelada, come aquele sanduba caprichado e ainda curte o som com a banda Criando Cópias (Nome fictício).

Perceba a diferença, é o lugar que oferece, o artista apóia a divulgação, mas ele deveria esperar o público que vai ao local pelo local, toda regra a exceção,  tem artista cover que realmente atrai pessoas, mas a maioria esmagadora não.

A mão de obra escrava começa quando a banda negocia sem se valorizar, sem impor suas condições.

Um deve ajudar o outro. Do contrário, não feche o show, entendam que o dono do lugar não gerencia sua carreira, não compra seus equipamentos, não paga as suas horas de ensaio, não paga o combustível, não divulga sua banda e sim o local dele de acordo com seu próprio interesse, e mais, há casos em que o artista tem que levar a estrutura de som, ou ficar preso a uma cota de ingressos. Isso não lhes parece mão de obra escrava?

PRECISO PONTUAR OS “CACHÊS”!!!

Mas meu coração dói porque os artistas na ânsia de tocar se sujeitam a isso, não se dão o devido valor, a banda trabalha de graça ou quase por nada, vira escrava e compra a ideia de que tem que ser assim, MAS NÃO É, existem bandas que estão há anos na estrada com essa ideia, pagam 20 mil a um produtor famoso e nada acontece, primeiro que produtor famoso só caça GRANA e não TALENTOS e segundo porque uma banda cover é uma gota no oceano de várias e para ter o nome lembrado por pessoas que foram ao local beber e se divertir entre elas, é muito raro, como disse talvez meia dúzia de exceções.

O artista não é gerente da casa, não é promotor da casa, não é fornecedor de estrutura de palco, não é mão de obra escrava, ele está lá para entreter o público que frequenta o lugar. Dá pra entender isso?

O caminho do som autoral é difícil sim, e muito, mas se o artista cuida da relação que tem com o público que vai ouvindo seu som, quando for se apresentar as pessoas irão, poderão ser 2 ou 2 mil, mas subir no palco sabendo que aquelas pessoas estão lá POR VOCÊ E SEU TRABALHO, não tem preço.

A casa vai se beneficiar por consequência, mas isso só é possível quando o artista percebe o valor que tem, todo o tempo que investe, todo dinheiro, toda dedicação, se o público sabe disso de maneira honesta, correta e hoje tem como falar ao mundo, fatalmente o incentivará em sua carreira e termino dizendo que a arte não está à mercê da escravidão.

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Radialista, cantor, compositor, roteirista, escritor e comerciante.

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